A perseverança é a continuidade em esforços feitos na mesma linha, sem os quais qualquer empreendimento humano estará fadado à esterilidade.
Quando observamos que muitos planos não se concretizaram, geralmente o poder de realização foi inferior à faculdade de concepção.
Estima-se que Goethe tenha engendrado durante trinta anos a criação do Fausto. Durante esse tempo, a obra germinou, criou raízes para, apenas então, brotar e florescer. Não foi rápido, não foi fácil, exigiu perseverança.
A realização de nossos objetivos, o sucesso do que pretendemos, nem sempre é veloz. Aliás, geralmente não é. Assim, é necessário não perder o bom humor se o que almejamos, planejamos e iniciamos ainda não esteja se tornando real.
"Poucas são as coisas por si próprias impossíveis; e o que freqüentemente nos falta não são os meios para obtê-las, é a constância".
O que nos atrapalha?
Rotina – É o principal obstáculo. Uma ruptura do automatismo, por insignificante que seja, já abre um caminho, liberta o pensamento e tonifica o psiquismo superior. É importante detectar os automatismos que alimentam a nossa inércia.
Desânimo – Quebra a faculdade mestra, a vontade. A preguiça moral, o gosto da comodidade e a instabilidade do humor são outros tantos fatores do desânimo.
Medo da mudança – Todo o esforço, quando desacostumado resulta penoso, gerando a idéia de incapacidade de avançar. Após muitos automatismos guardados em nosso subconsciente, ficamos paralisados e não nos pomos em marcha para o novo, para o que possa nos trazer algum progresso. (Courberive, 1960)
A perseverança pode ser contruída: A verdadeira vontade não é desejo, é autodeterminação refletida.
Preferimos vegetar numa mediocridade aceita, a elevar-nos a uma situação melhor à custa de trabalhos metódicos e perseverantes? Para muitos seres humanos, a felicidade consiste na lei do menor esforço, na rotina e no torpor. Isso equivale a matar a vida interior.
Para que haja perseverança deve haver também a concentração, ou seja, focalizar nossa atenção sobre um único ponto e partir ao seu encalço, pois pluribus intentus, minor fit ad singula sensus: olhando muitas coisas ao mesmo tempo, prestamos menos atenção a cada uma em particular.
Mons. d’Hulst dizia: "Ao lado da perseverança que jamais tomba há aquela que se levanta sempre".
Entende? Se mantivermos a nossa atenção voltada para os nossos próprios objetivos de vida (já os definimos claramente?), não daremos valor excessivo a determinado fracasso ou êxito, pois estaremos compenetrados nos deveres aos quais nos reservamos.
Fidelidade a si mesmo. Aí é que está o cerne da questão.